Primeira semana

Olá!

A semana do dia 12 de Setembro foi a primeira semana na HAW (Universidade de Ciências Aplicadas de Hamburgo). Queria contar um pouquinho da  experiência que tive por aqui.

A primeira semana é chamada de Orientierungswoche, semana de orientação. Para começar, na segunda-feira tivemos uma palestra de boas-vindas. Os duzentos calouros de Serviço Social foram então dividos em grupos. Cada grupo tinha dois tutores, que nada mais eram que alunos veteranos. Eles nos deram a programação da semana e fizeram um tour pelo campus. Mostraram tudo de importante: biblioteca, secretaria, xerox, sala de computadores e bandeijão.

No dia seguinte, pela manhã, tivemos um breve treinamento para casos de incêndio e acidentes. Na parte da tarde, os tutores nos ensinaram como montar o nosso horário de matérias. Eu esperava que o horário viesse já prontinho, já que estamos no primeiro semestre. Entretanto, o sistema nesta faculdade é muito confuso, e na terça-feira tivemos só a introdução de como escolher as matérias.

Quarta-feira: mais socialização. Nos reunimos num parque para tomar o café-da-manhã no estilo piquenique. Tivemos ainda mais tempo para nos conhecer e conversar bastante. Como os calouros ficam a semana toda separados em grupos e com seus respectivos tutores, as nossas oportunidades de conhecer pessoas que não fazem parte do nosso grupo é pequena. Alguns estudantes reclamaram sobre isso, mas eu não achei tão ruim assim.

Quarta à tarde e quinta-feira foram dias muito estressantes. O processo de montar o horário é muito cansativo e desagradável. É complicado explicar, mas um dia eu ainda faço um texto detalhado apenas sobre o assunto. Quinta à noite foi o dia de fazer o churrasco no parque, desta vez com todos os alunos juntos. Eu estava tão cansada e tensa depois de montar minha agenda, que acabei nem participando do evento.

A sexta-feira, por fim, é o dia de aconselhamento para aqueles que não conseguiram entrar em todas as matérias necessárias. Como este não foi o meu caso, eu tive o dia livre.

A primeira impressão foi boa. Estou bastante animada com o início das aulas! Espero em breve ter mais histórias para escrever aqui.

Auf Wiedersehen,
Livia.

Minha candidatura para Universidades (Uni-Bewerbung)

Olá!

Quero escrever hoje  um pouco sobre a minha experiência com a candidatura para Universidades, como o título já diz.

Desde o mês de Março eu estava numa correria atrás de todos os documentos necessários para uma candidatura para vagas em Universidades alemãs. Isso envolve o certificado de proficiência no idioma alemão, a legalização dos meus documentos brasileiros, a tradução juramentada dos mesmos e muito mais.

Juntar toda essa papelada foi um drama imenso. Eu tive muitos problemas e mal entendidos até finalmente fechar e enviar os três envelopinhos. Sim, foram três candidaturas: Universidade de Hamburgo, Universidade de Lüneburg e uma Hochschule aqui em Hamburgo (HAW). Para cada Universidade, um curso diferente. Tentei Economia Social, Psicologia e Serviço Social, respectivamente.

O prazo para enviar a sua candidatura para o semestre de inverno vai sempre até o dia 15 de Julho de cada ano. Depois de um grande investimento financeiro e muitas lágrimas roladas, no dia 13 de Julho eu consegui enviar tudo direitinho. Só me restava então torcer pelo melhor.

Eu estava esperando receber as respostas apenas em meados de Agosto, mas logo no início do mês eu fui surpreendida com a primeira resposta. Dias depois vieram também as outras duas, todas positivas!

Por uns dias eu fiquei muito pensativa, decidindo para qual Universidade ir e, depois de muitas considerações, resolvi me matricular na faculdade de Serviço Social.

Isso mesmo, no dia 12 de Setembro começarei a minha segunda faculdade, dessa vez todinha em alemão. Estou muito animada com essa nova perspectiva para a minha vida. Estudar aqui significa muito para mim, pois isto é o meu plano desde que resolvi morar aqui.

Eu também gostaria sempre de deixar claro que eu não teria conseguido sem o apoio da minha família, dos meus amigos mais próximos e principalmente do meu marido, que sempre insistiu para que eu estudasse aqui e nunca deixava eu jogar a toalha quando os obstáculos apareciam (e foram muitos!).

 

Se você quer estudar aqui na Alemanha e tem alguma dúvida sobre o processo, pode comentar aqui e eu ajudarei se possível.

auf Wiedersehen!

 

Lívia

Trabalho, estudo e passeios

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Lübeck – imagem retirada do google

Olá!

Desde que voltei do Brasil eu tenho trabalhado bastante. Substitui dois professores que estavam de férias, além de dar as minhas próprias aulas. Agora que o tumulto do trabalho está passando, vou voltar a estudar alemão. Vou fazer uma prova de proficiência chamada TestDaf (só a inscrição desta prova já vale um outro texto!). Este exame é muito importante para pessoas que querem estudar na Alemanha. Depois posso passar mais detalhes sobre ele.

Mesmo com tantas coisas para fazer, eu e meu marido, juntamente com uma amiga nossa do Brasil, conseguimos tirar dois fins de semanas para passear pelo país. Primeiro fomos a uma cidadezinha chamada Celle, que fica perto de Hannover. Lá tem um centrinho histórico com casas muito antigas e é bem bonito! Umas duas semanas depois nós pegamos um carro e fomos até Lübeck (um pouco ao norte de Hamburgo), uma cidade também histórica, com bastante lugar para visitar. Lá você encontra o café e a loja da Niederegger, que tem chocolates maravilhosos e muito marzipan!

Vocês podem ver algumas fotos aqui.

E esses foram os meus dois últimos meses. No próximo final de semana começarei o meu novo curso de alemão e, havendo algo interessante para contar, vou escrever tudo aqui! Espero no futuro poder dar dicas a todos que estão se preparando para o “terrível” TestDaf.

Auf Wiedersehen!

Duas semanas de aprendizado – Chegando na Inglaterra

Olá!

Estou passando esta semana e a próxima na Inglaterra, onde estou fazendo um curso para professores que se chama Creative methodologies. Hoje foi o meu primeiro dia e eu saí de lá com a certeza de que vou poder aprimorar muito minhas aulas quando eu voltar para Hamburgo. A viagem está só começando, mas eu sei que será uma experiência incrível. Já conheci pessoas de todo o mundo, com diferentes trajetórias e estou aprendendo um pouco mais com cada uma delas.

Ao mesmo tempo tenho também a oportunidade de visitar a região. Estou numa cidade chamada Canterbury, que fica ao sul de Londres.

Imagem retirada do google

Eu recomendo Canterbury para quem gosta de cidades históricas. Aqui você encontra construções muito antigas e é possível fazer visitas guiadas para viajar bastante no tempo. Como a cidade é bem pequena, você consegue ver tudo em um dia ou dois no máximo.

O próximo texto será muito provavelmente sobre Hamburgo, mas eu também estou pensando em escrever mais sobre minhas experiências por aqui. Então aguardem novidades! 🙂

O que é racismo?

Imagem retirada do google

Olá!

Há umas semanas eu passei por uma situação muito difícil dentro da sala de aula. Desta vez não foi engraçado como o cara que não sabia onde ficava Israel. Desta vez foi sério, muito sério.

Estava eu de novo substituindo uma professora. Desta vez uma outra turma, numa outra escola. Não estava ensinando inglês, mas português. O pedido era pra que eu a substituísse por três semanas, portanto, três aulas. Porém, nos dois primeiros encontros, do grupo de quatro alunos, apenas dois estavam presentes. Um senhor bem velhinho, e um jovem jornalista.

Eles já sabiam se virar com o idioma, então as aulas foram basicamente discutir vídeos ou textos. O primeiro tema foi desigualdade social e o segundo, direito humanos. Ambos os alunos eram muito inteligentes e argumentavam muito bem durante a aula. Faltava então apenas concluir o terceiro encontro e, já esperando que apenas os dois alunos fossem estar presentes novamente, escolhi um texto bem polêmico sobre racismo.

Acontece que, além dos dois alunos sempre presentes, uma mulher que esteve de férias nas últimas duas semanas também apareceu para participar. Pequeno erro de cálculo, mas ok. Tirei uma nova cópia do texto para que pudéssemos iniciar a discussão.

Tratava-se de uma entrevista bem polêmica com uma psicóloga brasileira cheia de títulos. Ela abordava o racismo de uma forma que não via o negro como o objeto do estudo, mas sim o branco. Ela mostrava como os brancos muitas vezes não enxergam os privilégios que tem dentro da sociedade somente por serem brancos. Enfim, apenas um breve resumo para vocês saberem sobre o que nós estávamos discutindo.

Acontece que, após eu explicar o tema do texto, antes mesmo de começarmos a lê-lo. Eis que essa aluna “recém-chegada” me interrompe para fazer o seguinte comentário “Bem, brancos são racistas sim, mas negros também são!”. Eu olhei para ela e para outros outros alunos sem nem saber o que responder, sendo este apenas o primeiro comentário aleatório vindo exclusivamente de dentro da cabeça preconceituosa dela. Durante a leitura, ela deu vários exemplos de como “essa moda da barba grande faz os homens parecerem terroristas”, como “a amiga dela é casada com um africano que é negro, mas é muito legal” e de como “ela tem medo de visitar a grécia, porque agora depois da crise eles odeiam os alemães”. Ela ainda explicou aos outros alunos e a mim que “os alemães não podem ser racistas como os franceses, precisam ser muito corretos por conta do que houve na Segunda Guerra”. Os outros alunos, por sua vez, tentaram fazer com que ela questionasse suas próprias visões (em vão). Parece que eles entenderam o texto e estavam afim de discutí-lo de verdade, sem uso de preconceitos e esteriótipos, mas foi muito difícil, já que esta aluna não conseguiu compreender qual era o tema em questão.

Eu diria que foi muito mais do que puxar uma discussão e não ouvir o que eu queria ouvir dos alunos. Foi realmente notar que, no final das contas, a tal psicóloga estava certa.

Na? Na ja. Genau. Hm. Quatsch!

Olá!

(Não levem o texto de hoje muito a sério.)

Não é novidade que o alemão é um idioma difícil. Para aprendê-lo, é preciso muita paciência e dedicação.

O assunto de hoje, contudo, não é bem esse. Não estou aqui para dar dicas de como aprender alemão. Pelo contrário, eu pretendo ensinar você, recém chegado na Alemanha, a falar com alemães sem necessariamente conhecer o idioma deles. Para qualquer tipo de conversa, os ingredientes são os mesmos. Tudo o que você precisará saber são as seguintes expressões: “Na?”, “Na ja…”, “Genau.”, “Hm.” e “Quatsch!”. Lembrem-se que ser monossilábico na Alemanha (ou principalmente no norte), não é lá tão estranho.

Na???” – Tem o mesmo efeito de “E aí, tudo bom?”. Fácil, não? Pois é, se você acha “Wie geht es dir?” muito complicado, que tal apenas perguntar “Na?” Fica bem simpático!

Hm.” e “Genau.” – Daí a pessoa te responde, e talvez te conte uma história, mas você não entendeu nada do que ela falou. Se você responder com um “Hm” soando minimamente interessado, você pode incentivar a pessoa a falar mais. Você pode então continuar respondendo com outros “Hms”, e se você sentir necessidade de concordar com algo, diga apenas “Genau.” Não esqueça de fazer sempre uma entonação simpática, se não a pessoa pode perceber que na verdade você não está entendendo nada!

Na ja…” – Se você estiver com pressa, precisando ir embora, ou simplesmente quiser desistir de levar esse “papo” adiante, o “Na ja.” servirá como um “É isso.”. Um encerramento de conversa no estilo “Não sei mais o que dizer.” – como se você tivesse dito muito. Solte-o de uma maneira leve, como um suspiro, para não soar grosseiro.

Quatsch!” – Essa é a saída de emergência. Caso algum dos comentários não cair muito bem. Por exemplo, se você falou “Genau”, mas acabou concordando com algo que não deveria, e a pessoa te olhou com uma cara estranha, diga “Quatsch!” e dê uma risada. A expressão é equivalente ao nosso “Zoa” ou “Brincadeira”. Então se você utilizar este recurso, vai parecer que foi a pessoa que não entendeu que você estava na verdade sendo irônico.

Enfim, apesar de toda a brincadeira desse texto, ele não deixa de ter um fundinho de verdade! 🙂

Velhinhos fofos [2]

Olá!

Algumas vezes dou aulas substituindo minha chefe. Várias dessas vezes eu a substitui em sua turma de “seniors”, um grupo de aproximadamente dez senhoras de mais de 65 anos (algumas com bem mais de 65). Todas as aulas que planejei para elas deram super certo e a gente sempre se divertiu muito.

A última aula não foi diferente, fizemos algumas atividades bem descontraídas e, no finalzinho, começamos a bater um papo livre que passou por vários assuntos. Começamos a falar da correria nos caixas de supermercado, até que chegamos nas brincadeiras da infância. Elas me explicaram os jogos e falaram sobre os brinquedos, que muitas vezes elas mesmas que faziam. Estavam muito animadas ao ver que todas conheciam as mesmas coisas.

Os momentos que mais me chamaram a atenção foram quando uma delas começou a cantar uma música e todas elas riram e falaram “eu lembro disso!”, quando outra disse que gostava muito de brincar nas ruínas dos prédios destruídos na guerra e, principalmente, do olhar nostálgico que todas elas tinham. Era fácil perceber que elas pensavam com muito carinho na infância.

Naqueles quinze minutos de conversa, todas voltaram sessenta anos no tempo.