Os elogios

Olá!

É sabido que as pessoas aqui do norte da Alemanha costumam ser bem econômicas na hora de elogiar. Por exemplo, o que para um brasileiro seria motivo para falar “Ótimo!”, para um alemão é apenas “Bom” e o que para nós seria um “Uaaau! Excelente!”, para eles é um “Muito bom”.

Isso nem sempre significa que os alemães são mais difíceis de serem agradados. Muitas vezes é apenas uma questão cultural mesmo. Eles geralmente demonstram o seu contentamento de forma diferente, com menos “empolgação”.

Fui lembrada dessa diferença cultural no último fim de semana, numa festa de despedida de uma amiga austríaca que está de mudança para outra cidade. Cada um ficou de levar alguma coisinha para o buffet da festa e eu, como boa brasileira, levei os nossos famosos pães de queijo.

Muitas pessoas ali na festa nunca tinham ouvido falar de pão de queijo antes, inclusive um alemão que estava sentado na minha mesa. Meu marido, uma amiga portuguesa e eu explicamos para ele o que era e ele, ao provar pela primeira vez, falou a seguinte frase “dá pra comer”.

A Livia recém-chegada na Alemanha acharia o comentário dele frio e grosseiro, mas a Livia que já mora em Hamburgo há quatro anos se sentiu lisonjeada com o sincero elogio.

E vocês? Já passaram por algum choque cultural deste tipo?

Auf Wiedersehen,

Livia.

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Patinando na cidade

Olá!

Esse é o tipo de história que na hora foi ruim, mas agora eu escrevo dando risada. 🙂

Sempre adorei patinar! Aqui em Hamburgo eu já patinei no gelo algumas vezes, mas para mim, bom mesmo é um bom par de patins. Passa ano, entra ano e todo o verão eu digo que eu quero comprar um par de patins e sair por aí arrasando.

Nesse verão eu finalmente realizei esse desejo. Consegui comprar um par de segunda mão por incríveis cinco euros. Fui buscá-los com o meu marido em uma estação de trem um pouco mais afastada da cidade e, na volta, decidimos parar duas estações antes da nossa casa para eu poder testar os tais patins. Meu marido, então, alugou uma bicicleta e eu calcei a minha mais nova aquisição.

O início da jornada foi muito tranquilo. Meu marido até me elogiou, disse que eu patinava muito bem. As primeiras ruas eram planas e sem movimentação de carro. Eu lembrei da minha infância e de como a Lívia de 12 anos ficaria tão feliz em ter esse par de patins que deslizava sem quase esforço nenhum.

Em determinado momento, porém, a rua começou a descer levemente. Foi aí que eu lembrei que eu não tinha experiência nenhuma patinando em ladeiras. Quando criança, o chão era sempre plano… comecei então a me preocupar. A rua descia, descia e ficava cada vez mais íngreme. Quando eu achei que não dava mais para piorar, eu vi ao longe um cruzamento movimentadíssimo e um sinal vermelho. O que fazer?

Nervosa, eu não queria cair no meio da rua, nem esboçar nenhum desespero. As pessoas na rua iriam olhar e rir de mim. Eu tentava frear e, sem sucesso, acabei agarrando o poste do sinal, quase machucando as mãos. Felizmente atravessei as ruas sem grandes problemas e, depois de uma outra ladeira que eu tive que descer agarrada na bicicleta do meu marido, o percurso voltou a ser tranquilo. Cheguei em casa realizada. Sã e salva.

Meu marido, com aquela calma alemã, apenas disse “você precisa aprender a frear.”.

Nas próximas vezes que eu fui patinar, prestei muito mais atenção no trajeto que faria e se ele teria muitas ladeiras…

Auf Wiedersehen,

Livia.

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Primavera… ou seria a primeira vez?

Olá!

Este é mais um texto da série: como é divertido ser professora de Português para estrangeiros.

Desta vez estrelando uma aluna particular alemã que, num exercício de leitura, confundiu “a primeira vez” com “primavera”. Simplesmente porque lendo rápido as palavras são muito similares, segundo ela.

Eu nunca tinha feito esta relação antes e no primeiro momento nem entendi o porquê do erro.  Assim, este foi mais um caso de como meus alunos estrangeiros percebem o Português de uma forma às vezes completamente diferente da minha.

Se você gostou deste texto, eu já contei um caso parecido (aqui).

Auf Wiedersehen,

Livia.

Almoço de formatura na mesa premiada

Olá!

Esta é talvez a primeira história que conto que não se passa na Alemanha, mas ela é boa! Foi no dia da minha colação de grau lá no Brasil. Depois da simples e rápida cerimônia, meus amigos e eu fomos comemorar o fim da graduação num restaurante meio caro para os padrões estudantis. Tínhamos um motivo bom para gastar um dinheirinho a mais, né?

Sentamos na mesa, formávamos um grupo de cinco ou seis pessoas. O restaurante tinha uma decoração retrô, tipo anos 1950. Comemos, rimos, conversamos… foi a última vez que vi boa parte daquele pessoal.

Quando todos estávamos satisfeitos, pedimos a conta. O garçom a trouxe e, ao invés de um exorbitante valor, apenas a mensagem de que nós havíamos nos sentado na mesa premiada e, por isso, o almoço sairia de graça. Além disso, tínhamos o direito de pedir uma sobremesa antes de ir embora! Acontece que naquele dia o restaurante fazia aniversário e eles inventaram essa promoção.

Eu não tenho lá muita sorte com essas coisas, com certeza foi algum “pé-quente” do grupo. Nós ficamos radiantes! Sempre que eu me lembro do dia da colação de grau, penso no almoço da mesa premiada.

Auf Wiedersehen,

Livia.

Que horas são?

Olá!

Hoje trago mais uma história que aconteceu durante a aula de Português.

O tema da aula era “as horas”. Passamos quase 90 minutos falando sobre horas: a que horas você vai dormir, a que horas você se levanta etc.

Nos últimos minutos, quando já estávamos decidindo qual seria a tarefa de casa, olhamos para o relógio da parede e ele havia parado de funcionar. Sim, o relógio da sala quebrou durante a aula! Os ponteiros estavam acelerados como se o tempo estivesse passando rápido… muito estranho!

Ficou como uma piada pronta para a turma, pois o relógio foi quebrar justamente no dia e no momento em que estávamos falando sobre as horas.

Para mais um texto com o tema “aula de português”, você pode clicar aqui.

Auf Wiedersehen,

Livia.

Abacaxi ou abacate?

Olá!

Em setembro as aulas retornam e os novos cursos de Português começam. Revejo meus alunos mais antigos e conheço os novos. Para quem não sabe, eu sou professora de Português como língua estrangeira na Alemanha.

As primeiras aulas começam com o simples “bom dia, boa tarde e boa noite” e com o passar do tempo chegamos inevitavelmente à lição sobre comida e bebida. Na parte do vocabulário estão várias frutas. Entre elas o abacaxi e o abacate.

Por que estou falando disto? Bom, em todos os grupos em que eu ensino estas palavras pela primeira vez, percebo que os alunos as acham não só muito engraçadas, como também muito parecidas!

Eu nunca havia reparado nessa semelhança entre as duas palavras até começar a ensinar nosso idioma a pessoas de outros países. Hoje, se eu repito as duas palavras várias vezes, até que dá pra entender a confusão dos meus alunos. O que vocês acham? 

Auf Wiedersehen,

Livia

Estranho presente de casamento

Olá!

No dia 18 de Junho fizemos uma grande festa por aqui. Foi uma comemoração tripla e uma delas foi o nosso casamento. Meu marido convidou todos os amigos dele dos tempos da faculdade/mestrado e surpreendentemente a maior parte veio. Foi uma surpresa, porque quase nenhum deles mora aqui em Hamburgo, estão todos espalhados pela Alemanha e alguns moram até em outros países. Foi muito bom revê-los. A festa foi um grande sucesso e durou o dia inteiro!

Como a ideia também era celebrar o casamento, nós acabamos recebendo alguns presentes. Normalmente os amigos aqui se juntam e dão uma quantia de dinheiro ou algum outro presente generoso aos recém-casados. Na grande parte foi isso que aconteceu. O grupo da faculdade, porém, decidiu fazer diferente: eles nos deram um potinho de plástico com algumas notas de dinheiro dentro. O detalhe era que estas notas estavam picadas em milhões de pedacinhos.

Enquanto eu e meu marido olhávamos incrédulos para o potinho, eles explicavam que, para recuperarmos o dinheiro, deveriamos remontar as notas e levar ao banco para trocar. Eles nos deram até mesmo o “modelo” das notas para que nós pudessemos resolver este “quebra-cabeça”.

Bom, é claro que tudo não se passava de uma piada e logo nos deram o presente de verdade. As notas picadas, entretanto, eram verdadeiras. Perguntamos a eles como as conseguiram, mas isso foi um segredo que eles não quiseram revelar…