Braga e Guimarães

Olá!

Depois de muito passear em Porto nos primeiros dias,  nós alugamos um carro e nossa primeira road trip foi até Braga e Guimarães, duas cidades não muito distantes.

Uma informação importante sobre as auto-estradas em Portugal (que por sinal, são super modernas) é que elas são pagas. Existem diferentes formas de pagamento e nós acertamos tudo logo ao pegar o carro. As estradas nacionais, no entanto, são livres, mas esta opção torna a viagem bem mais longa. Nós preferimos ir pelas autoestradas pagas e voltar pelas livres, assim dá pra conhecer um pouco melhor do interior do país e economizar um pouco nos gastos.

Viajamos primeiramente até Braga, uma cidade relativamente grande e com muitos estudantes. Passeamos um pouco por lá, vimos as principais praças e pontos turísticos, e já partimos para Guimarães, uma de minhas cidades preferidas até o momento!

Aqui estão algumas fotos que tirei em Braga:

20170518_133524

20170518_143303

20170518_142221

Guimarães é conhecida por ser a primeira capital de Portugal, onde o primeiro rei português nasceu. Cidade muito antiga, as principais atrações são o Palácio dos Duques de Bragança e o Castelo de Guimarães. Coincidentemente passamos por lá no dia internacional do museu e nossa entrada no Palácio foi de graça.

Depois de muito “turistar”, lanchamos numa praça super charmosa. A cidade simplesmente me encantou! Vejam algumas fotos de lá:

20170518_170719

20170518_175423

Para mais fotos é só dar uma olhada no meu instagram! 🙂

Nos próximos dias vou contar um pouco das seguintes road trips que fizemos explorando o norte de Portugal! Espero que gostem.

Auf Wiedersehen,

Livia.

Anúncios

Primeiros dias em Porto, Portugal

Olá!

Depois de todo o stress que tivemos até chegarmos em Portugal (clique aqui para saber mais), finalmente começamos a aproveitar a cidade de Porto.

Nos três primeiros dias na cidade visitamos todos os principais pontos turisticos como a Praça da Liberdade, a Estação S. Bento e a Ponte D. Luis I (ainda encontrei um amigo meu da época da escola, que está por acaso estudando um semestre na cidade). O centro de Porto é quase que inteiramente lindo, para onde você olha tem algum prédio impressionante ou igreja histórica. Se perder por lá não é necessariamente ruim…

20170515_125510
Avenida dos Aliados

20170516_151149

Vista da Ponte D. Luis I

No terceiro dia fomos também até a Praia de Matosinhos e pisamos na areia molhada pelo Oceano Atlântico. Local de fácil acesso com a linha azul do metrô. Lá perto também tem o Parque da Cidade, uma grande área verde para quem gosta de passear no meio das árvores. No dia que passamos lá o parque estava bem vazio e estavam preparando uns palcos para um festival.

20170517_143811

Praia de Matosinhos

Não esquecemos de degustar uma nada saudável francesinha num bar com vista para a Torre dos Clérigos.

Os primeiros dias foram incríveis! Os próximos passeios serão para cidades um pouco mais afastadas. Manterei o blog atualizado!

 

Auf Wiedersehen,

Livia.

 

Ps: Como estou sem computador e escrevendo tudo pelo tablet, pode ser que eu não consiga revisar os textos 100%. Espero que mesmo assim a leitura seja minimamente agradável. 🙂

O que é racismo?

Imagem retirada do google

Olá!

Há umas semanas eu passei por uma situação muito difícil dentro da sala de aula. Desta vez não foi engraçado como o cara que não sabia onde ficava Israel. Desta vez foi sério, muito sério.

Estava eu de novo substituindo uma professora. Desta vez uma outra turma, numa outra escola. Não estava ensinando inglês, mas português. O pedido era pra que eu a substituísse por três semanas, portanto, três aulas. Porém, nos dois primeiros encontros, do grupo de quatro alunos, apenas dois estavam presentes. Um senhor bem velhinho, e um jovem jornalista.

Eles já sabiam se virar com o idioma, então as aulas foram basicamente discutir vídeos ou textos. O primeiro tema foi desigualdade social e o segundo, direito humanos. Ambos os alunos eram muito inteligentes e argumentavam muito bem durante a aula. Faltava então apenas concluir o terceiro encontro e, já esperando que apenas os dois alunos fossem estar presentes novamente, escolhi um texto bem polêmico sobre racismo.

Acontece que, além dos dois alunos sempre presentes, uma mulher que esteve de férias nas últimas duas semanas também apareceu para participar. Pequeno erro de cálculo, mas ok. Tirei uma nova cópia do texto para que pudéssemos iniciar a discussão.

Tratava-se de uma entrevista bem polêmica com uma psicóloga brasileira cheia de títulos. Ela abordava o racismo de uma forma que não via o negro como o objeto do estudo, mas sim o branco. Ela mostrava como os brancos muitas vezes não enxergam os privilégios que tem dentro da sociedade somente por serem brancos. Enfim, apenas um breve resumo para vocês saberem sobre o que nós estávamos discutindo.

Acontece que, após eu explicar o tema do texto, antes mesmo de começarmos a lê-lo. Eis que essa aluna “recém-chegada” me interrompe para fazer o seguinte comentário “Bem, brancos são racistas sim, mas negros também são!”. Eu olhei para ela e para outros outros alunos sem nem saber o que responder, sendo este apenas o primeiro comentário aleatório vindo exclusivamente de dentro da cabeça preconceituosa dela. Durante a leitura, ela deu vários exemplos de como “essa moda da barba grande faz os homens parecerem terroristas”, como “a amiga dela é casada com um africano que é negro, mas é muito legal” e de como “ela tem medo de visitar a grécia, porque agora depois da crise eles odeiam os alemães”. Ela ainda explicou aos outros alunos e a mim que “os alemães não podem ser racistas como os franceses, precisam ser muito corretos por conta do que houve na Segunda Guerra”. Os outros alunos, por sua vez, tentaram fazer com que ela questionasse suas próprias visões (em vão). Parece que eles entenderam o texto e estavam afim de discutí-lo de verdade, sem uso de preconceitos e esteriótipos, mas foi muito difícil, já que esta aluna não conseguiu compreender qual era o tema em questão.

Eu diria que foi muito mais do que puxar uma discussão e não ouvir o que eu queria ouvir dos alunos. Foi realmente notar que, no final das contas, a tal psicóloga estava certa.

Auswanderermuseum, o museu do emigrante

O Museu do emigrante fica no sul de Hamburgo, mais especificamente em Ballinstadt. Eu o visitei em Julho com o pessoal do curso e foi um dos museus mais lindos que já vi. Não sei se é só porque o tema emigração me toca, mas achei a exposição muito emocionante e decidi escrever aqui um pouco sobre a organização do museu.

O Auswanderermuseum fica num antigo Auswandererhalle, que é um salão onde famílias – não só alemães, mas de todo o leste europeu – esperavam pelos navios que as levariam para as Américas.

A exposição está dividida em três partes: antes, durante e depois da viagem. Na primeira parte existem alguns bonecos que representam personagens fictícios, histórias de pessoas que tiveram que sair do seu país. Podemos ouvir gravações nas quais os personagens nos contam porque estão emigrando, para onde estão indo e quais suas expectativas. No início da exposição também podemos ler relatos reais de emigrantes, e entender um pouco sobre o que levava as pessoas a deixarem suas terras e o que elas esperavam encontrar do outro lado do oceano.

O que era necessário levar? O quão caro era emigrar? Além de tudo, ainda nessa primeira parte, são explicadas questões burocráticas que nos leva a entender como era complicado largar tudo e sair da Europa.

A segunda parte fala sobre a viagem em si. O que era deixar a Europa entre o final do século XIX e início do XX? O que era passar entre quatro a oito semanas dentro de um navio? Um vídeo nos mostra o que era viajar na primeira classe, e vemos representações em tamanho real da segunda classe e da área onde ficava a maior parte dos passageiros. Uma dica: se você tem claustrofobia, passe reto!

Um pouco da história de Albert Ballin também nos é contada nesse trecho da exposição. Ballin foi o diretor geral da HAPAG, uma gigante empresa de navegação, que na época muito lucrou com o esse processo migratório.

Por último, a chegada.

O que deixamos para trás?

Essa pergunta nos recebe do outro lado do museu. Ao chegar no destino, os emigrantes passavam por exames médicos e interrogatórios. O foco nessa parte são os Estados Unidos.

image

Algumas das perguntas feitas aos emigrantes ao chegarem nos Estados Unidos, entre elas “Você é anarquista? e “Você pode ler e escrever?”

Como não era lucrativo mandá-los de volta, apenas uma minoria teve que voltar para a Europa. Nesta última parte temos acesso ao número de emigrantes e os destinos favoritos (o Brasil está entre eles). Depois da longa viagem, era fácil enfrentar a vida em um país que tinha uma cultura diferente? A exposição traz então um pouco sobre a vida nas Américas e se encerra num reencontro. Na última sala, revemos os bonecos do início da exposição e lá ouvimos uma segunda gravação, onde eles nos contam o que aconteceu depois da viagem. Nem todos os finais são felizes, nem todas as famílias conseguiram uma vida melhor.

Saímos do museu nos perguntando se valeria a pena largar tudo e até mesmo se separar da família para buscar um futuro melhor do outro lado do Atlântico. Emigrar nunca foi fácil, e lá nos é muito bem explicada a complexa relação entre os fatores que expulsaram tanta gente da Europa e os fatores que atraíram tanta gente às Américas. Ao final da exposição, certamente temos muito o que refletir sobre o tema.