Auswanderermuseum, o museu do emigrante

O Museu do emigrante fica no sul de Hamburgo, mais especificamente em Ballinstadt. Eu o visitei em Julho com o pessoal do curso e foi um dos museus mais lindos que já vi. Não sei se é só porque o tema emigração me toca, mas achei a exposição muito emocionante e decidi escrever aqui um pouco sobre a organização do museu.

O Auswanderermuseum fica num antigo Auswandererhalle, que é um salão onde famílias – não só alemães, mas de todo o leste europeu – esperavam pelos navios que as levariam para as Américas.

A exposição está dividida em três partes: antes, durante e depois da viagem. Na primeira parte existem alguns bonecos que representam personagens fictícios, histórias de pessoas que tiveram que sair do seu país. Podemos ouvir gravações nas quais os personagens nos contam porque estão emigrando, para onde estão indo e quais suas expectativas. No início da exposição também podemos ler relatos reais de emigrantes, e entender um pouco sobre o que levava as pessoas a deixarem suas terras e o que elas esperavam encontrar do outro lado do oceano.

O que era necessário levar? O quão caro era emigrar? Além de tudo, ainda nessa primeira parte, são explicadas questões burocráticas que nos leva a entender como era complicado largar tudo e sair da Europa.

A segunda parte fala sobre a viagem em si. O que era deixar a Europa entre o final do século XIX e início do XX? O que era passar entre quatro a oito semanas dentro de um navio? Um vídeo nos mostra o que era viajar na primeira classe, e vemos representações em tamanho real da segunda classe e da área onde ficava a maior parte dos passageiros. Uma dica: se você tem claustrofobia, passe reto!

Um pouco da história de Albert Ballin também nos é contada nesse trecho da exposição. Ballin foi o diretor geral da HAPAG, uma gigante empresa de navegação, que na época muito lucrou com o esse processo migratório.

Por último, a chegada.

O que deixamos para trás?

Essa pergunta nos recebe do outro lado do museu. Ao chegar no destino, os emigrantes passavam por exames médicos e interrogatórios. O foco nessa parte são os Estados Unidos.

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Algumas das perguntas feitas aos emigrantes ao chegarem nos Estados Unidos, entre elas “Você é anarquista? e “Você pode ler e escrever?”

Como não era lucrativo mandá-los de volta, apenas uma minoria teve que voltar para a Europa. Nesta última parte temos acesso ao número de emigrantes e os destinos favoritos (o Brasil está entre eles). Depois da longa viagem, era fácil enfrentar a vida em um país que tinha uma cultura diferente? A exposição traz então um pouco sobre a vida nas Américas e se encerra num reencontro. Na última sala, revemos os bonecos do início da exposição e lá ouvimos uma segunda gravação, onde eles nos contam o que aconteceu depois da viagem. Nem todos os finais são felizes, nem todas as famílias conseguiram uma vida melhor.

Saímos do museu nos perguntando se valeria a pena largar tudo e até mesmo se separar da família para buscar um futuro melhor do outro lado do Atlântico. Emigrar nunca foi fácil, e lá nos é muito bem explicada a complexa relação entre os fatores que expulsaram tanta gente da Europa e os fatores que atraíram tanta gente às Américas. Ao final da exposição, certamente temos muito o que refletir sobre o tema.

4 comentários em “Auswanderermuseum, o museu do emigrante”

  1. Oi, Lívia
    Encontrei seu blog no google justamente por estar pesquisando minhas origens de bisneta de imigrantes poloneses que chegaram ao Brasil em 1880 acreditando nas lendas criadas por vivaldinos oficiais ou particulares, nas quais árvores vertiam leite, se tropeçava em minas de prata e a fruta-pão era literalmente um pão rs Tomara que a gravação no Museu conte sobre esses engodos … em que pese minha existência ser fruto deles ^^

    Mal entendo inglês, quanto mais alemão, mas não desisto de buscar informações sobre a terra de meu biso e sua prole, embora até agora tenha visto zil vezes mais descendentes Brzezinski nos EUA do que no Brasil. Infelizmente, nosso país só agora desperta para a valorização do braço imigrante no desenvolvimento nacional e as informações ainda são dispersas ou dependem de coleções particulares (como de sites de genealogia pagos).
    Vou continuar tentando encontrar essa lista de imigrantes poloneses (de alguma localidade que à época estava sob domínio da Prússia) mas foi delicioso ler as posts do seu blog. Espero que todos os hamburguenses sejam fofos como esse senhorzinho (e nada inconvenientes como o moço do ‘saco’ rs) e lhe inspirem outras historinhas adoráveis.
    Receba aí um abraço da Liliam, do Rio de Janeiro .. ops, Hell de Janeiro 🙂

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    1. Olá Liliam! Obrigada pela sua visita 🙂 Fico feliz que gostou dos meus textos. Você já deu uma olhada em algum arquivo brasileiro? Se seus bisavós desembarcaram no Rio de Janeiro, talvez você encontre algum registro no Arquivo Nacional. Te desejo boa sorte com a busca! Abraço, Lívia. 🙂

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