Desafios

Olá!

Se tem uma coisa a que eu aprendi nesses quase cinco anos morando fora do Brasil, foi a sair da minha tal “zona de conforto”. Por em prática a ideia de me mudar para a Alemanha não foi fácil. Eu nunca nem havia saído do país, e logo minha primeira viagem para um lugar tão distante e por um período tão longo (a principio 12 meses). Eu lembro que até antes do grande dia eu ficava pensando em várias coisas que podiam dar errado, mas logo nas primeiras semanas aqui eu já meio que havia me acostumado com a nova rotina.

Quase oito meses depois, aconteceu o conflito com a família que me contratara e a pressão de ter que sair da casa deles (muito) antes do que eu havia planejado. Foram meses extremamente complicados, tanto financeiramente, como emocionalmente. Foi também a primeira e a única vez em que pensei em desistir e voltar para casa. Contudo, acabei encontrando um outro lugar para ficar e, aos poucos, depois de muita procura, apareceram alguns trabalhos que me ajudaram a me manter aqui.

Depois de equilibrar a minha situação financeira e ter um número razoável de cursos em andamento, era hora de seguir em frente. Nunca foi meu plano ser professora de idiomas para o resto da vida, então decidi fazer o longo processo de traduzir todos os meus diplomas e históricos escolares e me candidatar para a faculdade. Paguei uma quantia alta pelas traduções e todo o resto do processo, inclusive o caro curso preparatório para o exame de alemão. Depois de muitos altos e baixos e até lágrimas derramadas, consegui enviar as candidaturas no último dia possível.

Fui aceita em três faculdades. Eu sabia que o jogo não estava perto de estar ganho, já que o pior mesmo seria estudar num curso todo em alemão. Mas eu me acostumei e está tudo bem, mas ainda não é o fim. O desafio do momento é o estágio que estou fazendo no conselho tutelar. Além disso, ano que vem começo a escrever minha monografia.

Olhando para trás, os obstáculos que antes me pareciam gigantes e quase impossíveis, ficaram muito pequenos. Isso me dá a total confiança de seguir em frente. O que para mim hoje parece muito complicado, daqui a uns anos será simples. Os desafios vem e vão. Uma jornada segura demais não merece ser percorrida.

A sua jornada também é desafiadora?

Auf Wiedersehen,

Livia.

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Os elogios

Olá!

É sabido que as pessoas aqui do norte da Alemanha costumam ser bem econômicas na hora de elogiar. Por exemplo, o que para um brasileiro seria motivo para falar “Ótimo!”, para um alemão é apenas “Bom” e o que para nós seria um “Uaaau! Excelente!”, para eles é um “Muito bom”.

Isso nem sempre significa que os alemães são mais difíceis de serem agradados. Muitas vezes é apenas uma questão cultural mesmo. Eles geralmente demonstram o seu contentamento de forma diferente, com menos “empolgação”.

Fui lembrada dessa diferença cultural no último fim de semana, numa festa de despedida de uma amiga austríaca que está de mudança para outra cidade. Cada um ficou de levar alguma coisinha para o buffet da festa e eu, como boa brasileira, levei os nossos famosos pães de queijo.

Muitas pessoas ali na festa nunca tinham ouvido falar de pão de queijo antes, inclusive um alemão que estava sentado na minha mesa. Meu marido, uma amiga portuguesa e eu explicamos para ele o que era e ele, ao provar pela primeira vez, falou a seguinte frase “dá pra comer”.

A Livia recém-chegada na Alemanha acharia o comentário dele frio e grosseiro, mas a Livia que já mora em Hamburgo há quatro anos se sentiu lisonjeada com o sincero elogio.

E vocês? Já passaram por algum choque cultural deste tipo?

Auf Wiedersehen,

Livia.

Eu li o novo livro de Dan Brown e…

Olá!

Este texto não é uma resenha sobre o novo livro de Dan Brown. Na verdade, é apenas uma reflexão sobre a minha relação com a leitura no geral. Talvez vocês leiam e se identifiquem com o que eu sinto, ou talvez não, e tudo bem assim.

Eu li todos os livros de Dan Brown. Código da Vinci, Anjos e Demônios, Fortaleza Digital e Ponto de Impacto. Eles livros foram lidos por mim na adolescência e eu adorava as conspirações. Ficava tentando descobrir o que ia acontecer e o porquê. Durante a leitura, vinham zilhões de teorias na minha cabeça e eu me sentia super orgulhosa quando alguma delas estava de fato certa. Este autor me traz ótimas memórias.

Por isso quando o novo livro dele foi lançado eu quis imediatamente devorá-lo. No entanto, ao começar a jornada da leitura, apesar de eu não conseguir parar de ler a história, eu tinha certeza de que eu ia me decepcionar no final. E eu não estava errada.

Desta vez eu não criei zilhões de teorias, mas apenas uma (que estava correta e fim). Além disso, a história se propõe a responder uma pergunta que acabaria com todas as religiões do mundo, mas a resposta só traz mais dúvidas no final das contas. E é exatamente por isso que eu já havia previsto a minha decepção – eu já sabia desde o início que a tal resposta não seria nem um pouco surpreendente ou grandiosa.

Isso significa que o livro é ruim? Não! Dan Brown continua sendo genial. Porém, eu me dei conta de que não faço mais parte do público alvo. Eu cresci… não sou mais aquela adolescente que adorava uma teoria da conspiração. Hoje sou uma mulher que estudou o bastante para não ver mais graça nisso.

E vocês? O que acharam do livro?

Auf Wiedersehen,

Livia.

Patinando na cidade

Olá!

Esse é o tipo de história que na hora foi ruim, mas agora eu escrevo dando risada. 🙂

Sempre adorei patinar! Aqui em Hamburgo eu já patinei no gelo algumas vezes, mas para mim, bom mesmo é um bom par de patins. Passa ano, entra ano e todo o verão eu digo que eu quero comprar um par de patins e sair por aí arrasando.

Nesse verão eu finalmente realizei esse desejo. Consegui comprar um par de segunda mão por incríveis cinco euros. Fui buscá-los com o meu marido em uma estação de trem um pouco mais afastada da cidade e, na volta, decidimos parar duas estações antes da nossa casa para eu poder testar os tais patins. Meu marido, então, alugou uma bicicleta e eu calcei a minha mais nova aquisição.

O início da jornada foi muito tranquilo. Meu marido até me elogiou, disse que eu patinava muito bem. As primeiras ruas eram planas e sem movimentação de carro. Eu lembrei da minha infância e de como a Lívia de 12 anos ficaria tão feliz em ter esse par de patins que deslizava sem quase esforço nenhum.

Em determinado momento, porém, a rua começou a descer levemente. Foi aí que eu lembrei que eu não tinha experiência nenhuma patinando em ladeiras. Quando criança, o chão era sempre plano… comecei então a me preocupar. A rua descia, descia e ficava cada vez mais íngreme. Quando eu achei que não dava mais para piorar, eu vi ao longe um cruzamento movimentadíssimo e um sinal vermelho. O que fazer?

Nervosa, eu não queria cair no meio da rua, nem esboçar nenhum desespero. As pessoas na rua iriam olhar e rir de mim. Eu tentava frear e, sem sucesso, acabei agarrando o poste do sinal, quase machucando as mãos. Felizmente atravessei as ruas sem grandes problemas e, depois de uma outra ladeira que eu tive que descer agarrada na bicicleta do meu marido, o percurso voltou a ser tranquilo. Cheguei em casa realizada. Sã e salva.

Meu marido, com aquela calma alemã, apenas disse “você precisa aprender a frear.”.

Nas próximas vezes que eu fui patinar, prestei muito mais atenção no trajeto que faria e se ele teria muitas ladeiras…

Auf Wiedersehen,

Livia.

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Trilha no Parque Nacional Peneda-Gerês

Olá!

Mais um capítulo da minha viagem ao norte de Portugal foi a trilha que fiz no Parque Nacional Peneda-Gerês. Este parque é muito grande, existem diversas trilhas lá e, como eu estava hospedada em Porto, não deu para conhecer o parque inteiro.

Optei pela trilha Fojo da Portela da Fairra. É uma trilha curta (6 km e mais ou menos 3 horas de duração) e de dificuldade fácil. Ela também é bem sinalizada e você percebe logo se não estiver seguindo pelo caminho previsto. Algo que facilita a jornada é o fato da trilha ser circular, então não é preciso voltar tudo no final e você aproveita diferentes vistas durante todo o passeio. Mais uma vantagem foi a ausência de turistas por lá. Eu tive o lugar todo só para mim!

A trilha se inicia na aldeia de Parada. Uma aldeia pequena, que nos faz viajar no tempo. É possível escutar os animais ao longe e os moradores me olharam com muitos pontos de interrogação na expressão facial (o que ela está fazendo aqui?). Lugar muito pacato!

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Aldeia de Parada

No dia que fui estava muito calor e quase não havia sombra durante a subida. O início foi, por isso, bem cansativo. Porém, as paisagens valiam muito a pena! Além da aldeia, a outra principal atração é uma antiga armadilha para lobos (o fojo de cabrita). Trata-se de uma área cercada por um muro de pedra, para onde os caçadores atraíam os lobos ibéricos e, uma vez presos dentro da armadilha, eles eram mortos pelos caçadores.

Aqui abaixo está uma foto de um fojo de cabrita. Não é a da trilha que fiz, pois não consegui encontrar a foto que eu mesma tirei.

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Foto retirada do Google

No final, é possível apreciar a Albufeira da Barragem de Paradela. A foto está logo abaixo:

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A trilha foi bem cansativa, não pelo esforço físico, mas por causa do calor que estava fazendo no dia. Mesmo bebendo muita água, a falta de sombra tornou a caminhada bem mais exaustiva. Entretanto, tudo valeu muito a pena! Foi uma aventura bem divertida e eu espero ter a oportunidade de fazer outras trilhas neste parque incrível!

Auf Wiedersehen,

Livia.

Chaves: minhas raízes

Olá!

Um dos meus sonhos de infância sempre foi conhecer a terrinha da minha vovó. Ela vem de uma aldeia que se chama Agrações. Esta aldeia fica há uns trinta minutos de carro da pequena cidade de Chaves. Chaves, assim como a terra de minha avó ficam numa região de Portugal chamada Trás-os-Montes. É a região (economicamente) mais pobre do país.

No dia seguinte ao que conhecemos Braga e Guimarães finalmente realizei o sonho de visitar o lugar. Nós passamos primeiramente em Chaves, para depois seguirmos numa estrada bem estreita, subindo os morros até encontramos a aldeia de Agrações.

Aqui estão algumas fotos de Chaves:
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Inscrições da Ponte20170519_133513
                                                                     Ponte Romana

A cidade não chega a trinta mil habitantes. Sua principal atração é a ponte romana. Quase não encontramos turistas por lá, o que tornou o passeio ainda mais tranquilo. O custo de vida lá é muito barato e as pessoas parecem levar a vida de modo muito simples.

Para seguir até a aldeia, usamos o GPS do celular, com muito medo de que o sinal acabasse conforme nos aproximávamos do “meio do nada”. Acontecesse que o nordeste de Portugal é uma região muito inóspita. Não há quase conexões de trem, por exemplo.

Para a nossa supresa o sinal pegou até o fim e encontramos a terrinha. Tiramos muitas fotos, entre elas estão algumas abaixo.

A aldeia foi sendo abandonada a cada geração, já que os jovens foram emigrando. Menos de 20 pessoas vivem lá hoje em dia. Eu contei quatro casas que pareciam realmente habitadas. A minha avó casou na capela da foto. Minha tia foi batizada lá. Tudo isso há décadas atrás!

A próxima etapa da viagem era ir até a aldeia vizinha, Póvoa d’Agrações, onde minha onde minha bisavó foi enterrada. Entretanto, a estrada estava muito perigosa para passar de carro e, andando levaríamos mais de uma hora para chegar lá. Estacionamos o carro e tentamos ir por um atalho, por uma trilha por dentro da floresta.

O caminho parecia nunca diminuir e a floresta foi fechando. Por isso decidimos voltar para o carro e não seguir com a ideia… dentro da mata vimos algumas ruínas do que teria sido um outro assentamento.

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Ruínas no meio da mata

Uma pena não termos conseguido chegar ao nosso último destino, quem sabe da próxima vez!

As aventuras de Portugal ainda não chegaram ao fim. Em breve contarei mais histórias por aqui.

Auf Wiedersehen,

Livia.

Braga e Guimarães

Olá!

Depois de muito passear em Porto nos primeiros dias,  nós alugamos um carro e nossa primeira road trip foi até Braga e Guimarães, duas cidades não muito distantes.

Uma informação importante sobre as auto-estradas em Portugal (que por sinal, são super modernas) é que elas são pagas. Existem diferentes formas de pagamento e nós acertamos tudo logo ao pegar o carro. As estradas nacionais, no entanto, são livres, mas esta opção torna a viagem bem mais longa. Nós preferimos ir pelas autoestradas pagas e voltar pelas livres, assim dá pra conhecer um pouco melhor do interior do país e economizar um pouco nos gastos.

Viajamos primeiramente até Braga, uma cidade relativamente grande e com muitos estudantes. Passeamos um pouco por lá, vimos as principais praças e pontos turísticos, e já partimos para Guimarães, uma de minhas cidades preferidas até o momento!

Aqui estão algumas fotos que tirei em Braga:

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Guimarães é conhecida por ser a primeira capital de Portugal, onde o primeiro rei português nasceu. Cidade muito antiga, as principais atrações são o Palácio dos Duques de Bragança e o Castelo de Guimarães. Coincidentemente passamos por lá no dia internacional do museu e nossa entrada no Palácio foi de graça.

Depois de muito “turistar”, lanchamos numa praça super charmosa. A cidade simplesmente me encantou! Vejam algumas fotos de lá:

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Para mais fotos é só dar uma olhada no meu instagram! 🙂

Nos próximos dias vou contar um pouco das seguintes road trips que fizemos explorando o norte de Portugal! Espero que gostem.

Auf Wiedersehen,

Livia.